18/12/2023 às 11h22min - Atualizada em 18/12/2023 às 11h22min

Onda de calor leva ar-condicionado e ventilador à maior inflação registrada

Conforme o IBGE, nos 11 meses deste ano, os preços dos equipamentos tiveram alta de 12,76% e de 6,20%, respectivamente

EVELYN THAMARIS
Divulgação

Item requisitado pelos consumidores de Campo Grande, o ar-condicionado registrou aumento de 12,76% neste ano. O preço do equipamento teve um salto considerável em meio à onda de calor em Mato Grosso do Sul, com novembro marcando variação de 5,15%, conforme dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O quarto e último trimestre do ano, momento em que foram registradas as maiores temperaturas de 2023 em Mato Grosso do Sul, teve início com a maior alta de preços de ar-condicionado, com variação de 9,63% em outubro.

Na sequência, o mês de novembro, em Campo Grande, registrou elevação de 5,15%, a segunda maior, conforme demonstra o IPCA. 

Os dados de janeiro de 2023 indicam que o ano começou com o equipamento apresentando alta de 1,06%. Já o ventilador, item também muito procurado para amenizar a sensação de calor, caiu 0,47%.

Fevereiro, por outro lado, apresentou cenário oposto ao anterior, em que a variação para o ar-condicionado ficou negativa em 1,97% e o ventilador positiva, com elevação de 1,61%.

O mês seguinte (março) deu continuidade ao cenário anterior, e o ar-condicionado fechou com queda de 0,18% e o ventilador com alta de 1,05%.

Em abril, o ar-condicionado (-0,21%) e o ventilador (0,15%) seguiram oscilando, com reduções e aumentos discretos. Em maio, os porcentuais indicados para a Capital, segundo o levantamento, foram, respectivamente, de -1,29% e 0,28%.

Junho fechou com alta de 0,39% no preço do ar-condicionado e de 1,10% no ventilador. Em julho, 2,83% (ar-condicionado) e 1,05% (ventilador).

Em agosto, a elevação foi de 2,41% para o ar-condicionado e 1,83% para o ventilador, e em setembro os itens tiveram aumento de 0,52% e 0,37%, respectivamente.

Nos meses de outubro e novembro, o ventilador também registrou elevação de preços, sendo 0,40% no 10º mês do ano e 0,91% no 11º. Logo, o ventilador apresentou recuo no preço somente no 1º mês do ano. 

O economista Márcio Coutinho atribui o movimento de alta ao excesso de demanda e à pouca oferta. “O ar-condicionado é o produto da vez, o calor está terrível e as pessoas estão procurando esse equipamento sem se importar com o preço”.

Em detalhe, o economista frisa a famosa lei da oferta e procura. “Nesse caso, é o contrário, muita procura, ou seja, muita demanda, e tem a oferta limitada. Consequentemente, o preço sobe”.

Coutinho avalia ainda a possibilidade de as indústrias não estarem conseguindo produzir o suficiente para atender à demanda. “Possivelmente, a indústria vai buscar novos componentes, e esses possivelmente devem estar encarecendo também, isso é uma repercussão no preço final do consumidor”, pondera o economista.

No âmbito nacional, especialistas ouvidos pelo O Globo afirmam que a falta do produto nas lojas é resultado da combinação da demanda elevada, motivada pelas ondas de calor dos últimos meses, com a oferta prejudicada pelas dificuldades com o transporte, por causa da seca na Amazônia – toda a produção nacional de ares-condicionados vem da zona franca de Manaus, segundo a Eletros, entidade que representa a indústria de eletrodomésticos.

COMÉRCIO

Por outro lado, a elevação da demanda impactou diretamente as vendas de ares-condicionados em Campo Grande, conforme avaliação de lojistas que destacam que o preço não tem sido um agravante para a aquisição do produto. 

Gerente da Magazine Luiza, Welington Servim, 29 anos, revela que, desde outubro, as vendas estão sendo superadas semanalmente, motivadas pela comercialização de ares-condicionados, ventiladores, climatizadores e também umidificadores. “Essa onda de calor veio para incentivar as vendas”, afirma.

Do mesmo segmento, o gerente da Gazin, Cleuber Ricardo, 36 anos, conta que o faturamento tem sido um dos melhores nos últimos meses, o que fez com que as projeções para o fim de ano aumentassem.

“Sem dúvida nenhuma, estatisticamente, a média de crescimento será de 40% de aumento, comparada à do ano passado”, frisa o gerente ao se referir a itens como ar-condicionado e ventilador.

No País, o setor registrou um salto de 38% no segundo semestre, até o fim de outubro, na comparação com igual período de 2022, conforme aponta a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), entidade que representa empresas de diferentes elos da cadeia do setor, da indústria aos serviços de manutenção.

Em nota ao O Globo, a Abrava informou que, ao contrário do ano passado, quando as vendas foram consideradas ruins, o aumento em 2023 já era aguardado. “A onda de calor de novembro veio colaborar ainda mais para esse cenário positivo”.

No quesito volume de vendas, os aparelhos do tipo split apresentaram crescimento de 16% no primeiro semestre, com 1,483 milhão de unidades comercializadas, conforme a entidade. A estimativa da Abrave é de que as vendas totais cheguem a 4 milhões de aparelhos neste ano.

NACIONAL

Em nível nacional, o aparelho de ar-condicionado também exibe alta significativa nos valores, que saltaram 4,22% em novembro, conforme dados do IPCA divulgados pelo IBGE. O índice geral variou 0,28% no décimo primeiro mês do ano.

Ainda de acordo com os dados do Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra), essa é a maior alta para o ar-condicionado no mês de novembro, desde a criação do Plano Real. O real entrou em circulação em julho de 1994, para conter a hiperinflação no Brasil, e em 1994 a alta foi de 5,26%.

O levantamento mostra que o custo médio do equipamento está ainda três vezes acima da inflação neste ano. O ar-condicionado ficou 13,97% mais caro no acumulado do ano até este mês, enquanto o índice geral de preços oscilou 4,04% no mesmo intervalo.

Os números revelam que, de 2020 para cá, o preço do aparelho desacelerou com mais força entre os meses de outubro e novembro, período marcado por altas temperaturas em diversas regiões do País. 

A temporada que vai de setembro a outubro é marcada pela alta de preços em virtude da expectativa de maior demanda por conta das altas temperaturas no verão.

A diferença é que, neste ano, em decorrência da onda de calor, o preço continuou com forte alta em novembro, apesar da desaceleração em comparação com o mês anterior.

O aumento excessivo da temperatura vem afetando a economia de diferentes maneiras. Como observado, o calor fez crescer a procura pelos ares-condicionados, elevando automaticamente a comercialização de aparelhos e também a demanda por conserto e manutenção.

Ademais, provocou uma transformação na tendência de trabalho home office, levando trabalhadores a retornar ao presencial.


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