10/07/2024 às 10h51min - Atualizada em 10/07/2024 às 10h51min

BR-163 tem alta de acidentes e mortes, enquanto contrato segue parado no TCU

Dados da PRF mostram que o número de sinistros e óbitos aumentou neste ano, em comparação com o ano passado

JUDSON MARINHO
Rodovia tem poucos trechos duplicados e alguns estragos

A BR-163 volta a ter alta de acidentes e mortes enquanto o contrato de renovação da concessão segue parado no Tribunal de Contas da União (TCU). Apelido de “rodovia da morte” se torna cada vez mais real na principal rodovia federal que corta o Estado de norte a sul.

Enquanto a repactuação do contrato de concessão da rodovia segue indefinido, o número de mortes e acidentes na BR-163 seguem subindo. 

De acordo com os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nos primeiros seis meses de 2024 aconteceram 400 acidentes na BR-163, sendo que no mesmo período do ano passado, foram registrados 330 casos, eu aumento de 21% no número de ocorrências.

Referente aos óbitos nestes acidentes, de janeiro a junho do ano passado, 33 pessoas morreram na BR-163 vítimas de sinistros na estrada, atualmente contando os acidentes que ocorreram neste início de julho já são 36 mortes nesta rodovia.

Entre as madrugadas de sábado e domingo (6 e 7 de julho) sete pessoas morreram em Mato Grosso do Sul em trechos distintos da BR-163, que possui 847 quilômetros de extensão. 

Na madrugada de domingo, quatro rapazes que estavam em um Pálio morreram próximo ao km 300 da rodovia, sendo que uma das vítimas do acidente demorou a ser identificada devido a gravidade da batida, já que os bombeiros precisaram recortar o carro onde o corpo da vitima estava preso às ferragens. 

Esses quatro óbitos se somam às três vítimas do acidente no anel viário de Campo Grande, que aconteceu ainda na madrugada de sábado (6), que coincidentemente também estavam em um carro de passeio e se chocaram contra uma carreta. 

Um terceiro acidente na BR-163 aconteceu na segunda-feira. Uma camionete Toyota Hillux, ocupada por moradores de Pedro Gomes, ficou destruída ao se chocar com um caminhão baú. Outra carreta bitrem tanque se envolveu no acidente sofrendo danos na batida.

O acidente ocorreu devido a invasão de pista contrária do motorista da carreta, a camionete que vinha na pista bateu atrás dos veículos, que se chocaram e capotou várias vezes, parando nas margens da rodovia. Apesar da gravidade da batida ninguém ficou ferido neste acidente.

A MAIS PERIGOSA

Segundo os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de óbitos nas rodovias federais em 2023, decorrentes de acidentes, foi de 184. Só na BR-163 este quantitativo é de 64, ou seja, 34% das mortes que ocorreram em rodovias federais no Estado aconteceram nesta via.

Se comparado a dados anteriores a privatização da BR-163, que é gerenciada pela CCR MSVia, entre janeiro e julho de 2014, o número de mortes na rodovia também foi de 64, mostrando que os números continuam altos.

Conforme a PRF, as rodovias federais mais perigosas do Estado seguem sendo a BR-163 e a BR-262.

“As BRs do Estado com maior número de acidentes no último ano são, respectivamente, BR-163 e BR-262, o que está diretamente relacionado ao maior fluxo de veículos nessas rodovias”, disse a corporação em nota.

CONCESSÃO DA BR-163

A CCR MSVia ganhou leilão em 2014 para administrar os 845 km da BR-163, que liga Mundo Novo, na divisa com o Paraná, com o município de Sonora, na divisa com o Mato Grosso.

A promessa era de que a rodovia seria totalmente duplicada, mas a CCR MSVia duplicou apenas cerca de 150 km, o suficiente para iniciar a cobrança de pedágio, nos três primeiros anos de contrato.

A partir de 2017, não ocorreu mais nenhuma obra de duplicação. O governo federal vem prorrogando o contrato com a CCR MSVia para a administração da BR-163, uma vez que a empresa havia se negado a permanecer com a licitação em 2019. 

Porém, desde o ano passado a concessionária e o governo federal chegaram a um acordo para uma nova repactuação. O novo contrato tem previsão de investimento de R$ 12 bilhões na rodovia, que inicialmente deveria ter sido assinado no primeiro mês de 2024. 

No entanto, um impasse do Tribunal de Contas da União (TCU) atrasou o processo, que segue sem previsão de entrar na pauta de sessões da Corte, já que não há nenhuma regra que estabelece um prazo para a análise do processo. O contrato ainda prevê mais 190 km de duplicação.

Saiba

De acordo com o governo do Estado, o novo contrato de concessão da BR-163 que deve ser estendido até 2049, sendo que R$ 2,3 bilhões dos R$ 12 bilhões devem ser investidos nos três primeiros anos da vigência.


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