Como a "leitura de ambiente" do Krav Maga protege mulheres contra ataques de misoginia nas ruas.

Diante da nova legislação que criminaliza a misoginia no Brasil, a instrutora Roberta Santos explica como habilidades do Krav Maga podem ser usadas para antecipar e neutralizar agressões motivadas por ódio de gênero.

Por Bendita Letra
1 4 Min

Como a "leitura de ambiente" do Krav Maga protege mulheres contra ataques de misoginia nas ruas.
Roberta Santos
 

A recente sanção da Lei 14.811/2024, que incluiu a misoginia e o bullying no Código Penal brasileiro, marca um passo decisivo no combate à violência de gênero, que registrou um aumento de 1,6% nos casos de feminicídio no último ano, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora o respaldo jurídico seja fundamental para a punição, a segurança preventiva nas ruas continua sendo um desafio diário para o público feminino. Nesse cenário, técnicas de defesa pessoal têm se mostrado aliadas essenciais não apenas para o confronto físico, mas principalmente para a antecipação de riscos em ambientes públicos.

A filosofia do Krav Maga, desenvolvida originalmente em Israel, foca na sobrevivência através da percepção aguçada. De acordo com a empresária e instrutora sênior da Bukan School of Krav-Maga, a técnica vai muito além de desferir golpes; ela treina o olhar para identificar sinais de hostilidade antes mesmo de uma abordagem ocorrer. Para a especialista, a leitura de ambiente funciona como um radar que detecta posturas agressivas e comportamentos suspeitos, permitindo que a mulher tome decisões rápidas para evitar uma escalada de violência motivada pelo preconceito.

"O corpo fala muito antes de as mãos se moverem. Quando ensinamos a leitura de cenário, estamos dando à aluna a capacidade de perceber se aquele grupo na esquina ou aquele indivíduo que mudou a rota está demonstrando uma intenção predatória", explica Roberta Santos. Segundo ela, ao notar uma movimentação estranha, a primeira linha de defesa é a modificação da própria postura e o distanciamento estratégico. A ideia é nunca ser pega de surpresa, quebrando o ciclo de vulnerabilidade que o agressor busca explorar.

A confiança adquirida nos treinos reflete diretamente na maneira como a mulher ocupa o espaço urbano. Ao demonstrar consciência situacional, ela deixa de ser vista como um alvo fácil. A instrutora destaca que a misoginia nas ruas muitas vezes começa com intimidação verbal ou invasão de espaço pessoal, e saber se posicionar fisicamente pode desencorajar o agressor. "Nossa prioridade é sempre o retorno seguro para casa. Se a pessoa entende onde estão as rotas de fuga e como manter uma distância de segurança, ela já neutralizou metade da ameaça", afirma.

Caso a prevenção não seja suficiente e a agressão física se torne inevitável, o treinamento entra em uma fase reativa, focada em pontos sensíveis do corpo humano para garantir uma saída rápida. Roberta ressalta que o Krav Maga não exige força bruta, o que o torna ideal para mulheres enfrentarem oponentes maiores. A técnica utiliza a velocidade e a precisão como ferramentas para interromper o ataque e permitir a fuga imediata, sem a necessidade de prolongar o combate.

"A defesa pessoal é, acima de tudo, uma ferramenta de liberdade. Com as novas leis, temos a justiça ao nosso lado, mas no asfalto, o que protege a integridade de uma mulher é o seu estado de alerta e a capacidade de reagir com inteligência", conclui a especialista. Ao unir o amparo legal à capacitação física e mental, cria-se uma rede de proteção mais robusta, transformando o medo em vigilância ativa e segurança real no cotidiano das cidades.

 

Fonte: Roberta Santos | Empresária e Instrutora Sênior de Krav-Maga da Bukan School of Krav-Maga, a arte marcial israelense para defesa pessoal.


 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
[email protected]


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »