O interesse de investidores e empresários brasileiros pelos Estados Unidos se traduz em números cada vez mais expressivos. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que os investimentos produtivos brasileiros em território americano alcançaram índices de US$ 22,1 bilhões em 2024, crescimento de 52,3% em relação a 2014.
Ao mesmo tempo, levantamento do Banco Central do Brasil aponta que o total de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) atingiu US$ 654,5 bilhões em 2024. Os Estados Unidos figuram entre os principais destinos desses recursos, especialmente em ativos ligados à participação empresarial, investimentos financeiros e mercado imobiliário.
Para Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, os números confirmam uma tendência estrutural impulsionada por fatores econômicos e institucionais.
“Os Estados Unidos oferecem uma combinação difícil de encontrar em outros mercados: segurança jurídica, estabilidade institucional, moeda forte, elevada liquidez e acesso aos principais mercados financeiros do mundo. Em períodos de incerteza econômica doméstica, o investidor brasileiro naturalmente busca ambientes com maior previsibilidade, e os EUA historicamente cumprem esse papel”, explica.
O movimento não se restringe ao mercado financeiro. Um mapeamento da CNI identificou ao menos 70 empresas brasileiras com operações em 23 estados americanos, com destaque para os setores de alimentos e bebidas, plásticos, software e tecnologia. Entre 2020 e 2024, essas companhias anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novos investimentos nos Estados Unidos.
No caso dos investidores particulares, a demanda se concentra principalmente em ativos dolarizados, imóveis geradores de renda, títulos de renda fixa americana e participação em empresas ligadas à inovação, tecnologia e inteligência artificial.
Segundo Murta, além da busca por rentabilidade, o investidor brasileiro procura reduzir exposição a riscos cambiais, fiscais e regulatórios concentrados em uma única economia.
“A diversificação internacional deixou de ser apenas uma estratégia de expansão patrimonial e passou a ser uma ferramenta importante de gestão de risco. O investidor busca equilibrar exposição geográfica, proteger patrimônio em moeda forte e acessar mercados mais maduros e previsíveis”, afirma.
O especialista ressalta, porém, que o avanço da internacionalização patrimonial também trouxe aumento das exigências regulatórias e fiscais no Brasil. Com a entrada em vigor da Lei nº 14.754/2023 e da Instrução Normativa RFB nº 2.180/2024, as obrigações de compliance para investidores com ativos no exterior se tornaram significativamente mais rigorosas.
Entre as principais mudanças, lucros de estruturas offshore passaram a ser tributados anualmente à alíquota de 15%, independentemente de distribuição, além da obrigatoriedade de elaboração de balanços contábeis assinados por contador habilitado no Brasil.
“O ambiente regulatório se tornou mais sofisticado e o acompanhamento técnico especializado deixou de ser opcional. Quando a estrutura internacional é planejada corretamente desde o início, o investidor conquista eficiência tributária, proteção patrimonial e previsibilidade no longo prazo”, conclui Adriano Murta.
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Sobre Adriano Murta
Adriano Murta é o fundador e líder da M&P Capital Investments, especializada em assessoria e consultoria para investimentos no mercado financeiro e imobiliário dos Estados Unidos. Com mais de 20 anos de experiência, Adriano se destaca por sua habilidade em simplificar o processo de investimentos para brasileiros e investidores internacionais, oferecendo soluções personalizadas, eficazes e seguras.
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RODRIGO BERNARDINO DA SILVA
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