Campo Grande registrou sensação térmica de 4,4°C na madrugada desta terça-feira (23). Quem passou a noite em casa, agasalhado e coberto, talvez não tenha sofrido com o frio intenso. No entanto, quem vive nas ruas da Capital sente na pele as baixas temperaturas e precisa improvisar para se aquecer nesta onda de frio — primeira do inverno e mais intensa de 2026 até agora
Nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (23), o frio intenso deve levar até 200 pessoas ao Centro POP, na Rua Joel Dibo, no Centro de Campo Grande. Lá, eles recebem cobertores, alimentação, higiene e outros atendimentos. O Parque Ayrton Senna, que funciona como ponto de acolhimento para a população em situação de rua quando a temperatura cai a 12°C, ficou fechado na última noite, mas abrirá nesta terça-feira.
“Com esse frio, está osso. A coisa está feia. Não vai ter mais aquele abrigo no Parque Ayrton Senna?”, questionou um homem, que chegou segurando cobertas velhas no Centro POP às 8h desta terça (23). Ele dormiu com a esposa em frente à Agência da Previdência Social, na Rua 26 de Agosto, e foi acordado pelo vigia do local, às 5h. “Vim procurar abrigo, mas não tem”, afirma o rapaz, que preferiu não se identificar.
Em seguida, outro homem chegou ao Centro POP. Ele dorme nas ruas há seis anos e sempre procura ajuda na entidade, de responsabilidade da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). “De segunda a sexta, tem alimentação, acolhimento e banho. Meu apoio é aqui, é fundamental”, afirma o homem. No entanto, ele relata que nem sempre há agasalhos e cobertores. “Quanto tem, eles oferecem, mas depende do governo”.
Segundo a coordenadora do Centro POP, Josemary Silveira Braga, a alimentação dos acolhidos é preparada no local e levada ao Parque Ayrton Senna nas noites em que a unidade emergencial de acolhimento está aberta. Outro Centro POP está em construção no bairro Amambaí, com expectativa de inauguração até agosto desse ano. “Lá nós vamos ter um espaço maior e mais oficinas”, explica a coordenadora.
O alerta para a população em situação de rua ganhou força após a última onda de frio registrada em Mato Grosso do Sul. No início de maio, Campo Grande teve sensação térmica negativa por dois dias consecutivos. Em uma das manhãs mais frias do ano, a temperatura chegou a 7,9°C, mas a sensação térmica atingiu -3,2°C devido à combinação de vento, umidade e temperatura do ar.
Durante o período, quatro pessoas morreram com suspeita de hipotermia no Estado, sendo três em Campo Grande e uma em Dourados. Na Capital, as vítimas foram encontradas na calçada de um bar, ao lado de uma unidade de saúde e em uma casa abandonada. Já em Dourados, um homem foi localizado morto às margens da BR-163.